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terça-feira, 13 de agosto de 2019

Investigação assustadora: os católicos não sabem o que seja a Eucaristia


Giuliano Guzzo

Um relatório do Pew Research Center revela que somente um terço dos católicos americanos crê que a comunhão seja o Corpo e Sangue de Cristo. 69% considera que pão e vinho sejam somente símbolo, e muitos estão também convencidos que este seja o ensinamento da Igreja. Dados inquietantes que nãos e referem somente aos Estados Unidos, antes: existem diversos elementos para considerar que na Europa, e também na Itália, os resultados seriam também piores. É esta a verdadeira emergência para a Igreja, da qual os pastores deveriam se preocupar. Todo o resto vem muito depois.


Já faz alguns anos, parece que o problema número um da Igreja seja fazer de maneira que todos, indistintamente, possam comungar, sem nenhuma exclusão. De acordo, mas quantos fiéis são hoje conscientes do valor e do significado do sacramento da Eucaristia? Há sentido perguntar sobre isso, dado que já Padre Pio de Pietrelcina (1887-1968), pressagiando uma certa ignorância em relação a esta questão, tinha então sentenciado que, se soubéssemos do real valor da Santa Missa, seria necessário a polícia para coordenar as multidões que acorreriam a ela.

Uma piada, aquela do santo, que destacava uma situação alarmante já há decênios, imaginemos hoje. Quem não ficou em divagações e procurou examinar foi o Pew Research Center que de 4 a 19 de fevereiro deste ano efetuou uma revelação exatamente sobre a consciência religiosa no povo americano, condensando o que descobriu em 70 páginas de um relatório eloquente intitulado  What Americans Know About Religion (o que sabem os americanos sobre a religião).

Ora, se os dados trazidos nesse documento são muitos e estimulantes, há um que aparece perturbador. Refere-se ao conhecimento que os católicos possuem sobre a Eucaristia. Conhecimento por assim dizer, dado que apareceu como somente um terço dos católicos dos estados Unidos acredite que a comunhão seja o corpo e o sangue de Cristo, enquanto os 69% considera que o pão e o vinho sejam meros símbolos. E não terminou aqui. Muitos dos católicos que consideram que pão e vinho sejam símbolos se dizem convencidos que este seja o ensinamento da Igreja.

Por último, se de um lado existe uma pequena parte de católicos (3%) que professa crer na presença real de Cristo na eucaristia mesmo ignorando o ensinamento da Igreja sobre transubstanciação, por outro lado, um em cada cinco deles que ao invés sabem  o que seja a transubstanciação rejeita tal ensinamento julgando-o infundado. Tudo isso, se for conveniente, compõe um quadro que, complexamente, seria eufemístico definir inquietante. 

Isso é tão verdadeiro que, por exemplo, Dom Emmet Barron,  bispo auxiliar de Los Angeles, informado destes dados manifestou publicamente, no twitter, escandalizada incredulidade: “É difícil descrever quanto me irrita o que surgiu no último estudo do Pew Research Center. Isto deveria ser um alarme para todos nós na Igreja. Somos todos culpados”. De fato, é difícil não perceber nestes abismos de ignorância religiosa e sacramental claras responsabilidades por parte dos pastores americanos.

E na Itália? Como é a situação? Infelizmente, ou talvez, felizmente – depende do ponto de vista -, não dispomos de pesquisas assim cuidadosas como a dos Estados Unidos. Todavia, aquelas feitas em nosso País não deixam transparecer cenários muito bons. Basta pensar o que apareceu em um estudo feito em 2007 pela revista Famiglia Cristiana com 800 batizados com uma idade média de 48 anos, portanto fiéis maduros, pelo menos de idade. 

Brevemente, então se descobriu que somente 25% dos católicos praticantes leram os evangelhos (imagine os não praticantes) e à pergunta “como se pode cultivar a espiritualidade?” 63%  respondeu “ajudando o próximo” e 35% “fazendo voluntariado”, enquanto muito menos respondeu “rezando” (22%) e “indo à Missa” (14%). Ora, considerando que este era o cenário de uma dúzia de anos atrás, quando Bento XVI governava a Igreja, é fácil imaginar – sobretudo à luz do citado estudo americano e da filantropia que há anos confunde muitos fiéis – qual desastroso possa ser, hoje, o nível de conhecimento, também na Itália, do significado da Eucaristia. 

Segue-se como, em vez de se perder em prioridades, que é tudo menos isso, preocupando-se de inclinar a doutrina para o sentimento comum, os nossos pastores – a partir das mais elevadas hierarquias da Igreja – deveriam fazer um sério exame de consciência, decidindo-se uma vez por todas em retornar a formar o seu rebanho. Porque não existe obra de caridade mais elevada, hoje, que evangelizar um povo cristão que, infelizmente, está se paganizando e se perdendo entre as chagas da modernidade. Isto é realmente prioritário. Todo o resto vem depois, muito depois. 

A Eucaristia será um dos argumentos na próxima Jornada da Bussola, intitulada “Até os confins da terra”, que acontecerá em 6 de outubro em Milão. Os palestrantes serão Ir. Gloria Riva (Adoradoras Perpétuas do Santíssimo sacramento), padre Roberto Coggi op (autor de numerosos livros dedicados à Eucaristia), doutor Franco Serafini (autor de “Um cardiologista visita Jesus – Os milagres eucarísticos à prova da ciência”).


terça-feira, 6 de agosto de 2019

O destino da humanidade passa pela família

Vale a pena assistir.

Seis vídeos.

Menos de 20 minutos cada.

1- O destino da humanidade: sobre o significado do casamento


2 - O berço da vida e do amor: uma mãe e um pai para as crianças do mundo



3 - Entendendo o homem e a mulher


 4 - A doçura escondida: o poder do matrimônio em meio às dificuldades


 5 - Desafio e esperança para uma nova geração


 6 - Matrimônio, cultura e sociedade civil


terça-feira, 30 de julho de 2019

A realidade segundo a mídia, entre propaganda e manipulação

Fabio Piemonte

A mídia informa ou faz propaganda? A esta pergunta responde através de uma cuidadosa e aguda análise da máquina da manipulação midiática o último ensaio de Giuliano Guzzo, assinatura conhecida pelos leitores do Il Timone, com o título: Propagande. Segreti e peccati dei mass media (La Vela, pp. 203), (ndt.: Propagandas. Segredos e pecados da mídia. “As notícias não devem somente ser apreendidas. Seria muito simples. Elas devem também ser examinadas”; porque “a verdade existe e, apesar de tudo, resiste. Mas, não deve jamais ser dada por garantida”. É este anseio pela verdade a desmascarar toda forma de mentira passada como verdade, a mover a pesquisa de Guzzo sobretudo sobre temas de bioética.

Edward Bernays, um dos spin doctor que aparece no grupo dos 100 homens mais influentes do século XX segundo a revista Life, no seu ensaio Propaganda, publicado em 1928, reconheceu explicitamente que “o verdadeiro poder dominante está nas mãos daqueles que regulam os mecanismos escondidos da sociedade, concluindo que nós somos governados, as nossas mentes são modeladas, os nossos gostos formados, as nossas ideias inspiradas em parte por homens dos quais jamais ouvimos falar”. Não se trata aqui de aderir a teorias de conspiração, mas de constatar um dado de fato.

Por exemplo, em relação ao aborto, Bernard Nathanson, o conhecido abortista americano que se tornou pro-life, revelou exatamente a intencionalidade manipuladora da campanha midiática pro-choice: “Começamos convencendo a mídia que aquela batalha pela liberação do aborto era uma batalha liberal, progressista e intelectualmente refinada”. E assim “mesmo se o número de mulheres mortas pelas consequências de aborto ilegais era em torno de 200-250 ao ano, indicamos à mídia que era 10 mil. Estes falsos números penetraram nas consciências dos americanos, convencendo muitos que era necessário eliminar a lei que proibia o aborto”, confessou o mesmo doutor. Também na Itália foram dados números: 25000 teriam sido as mulheres vítimas de aborto clandestino. Que pena que tal cifra tenha se revelado até mesmo superior ao número total de mulheres em idade fecunda mortas em 1972 que foi igual a 15116. Em tempos recentes, a cobertura midiática sobre as principais emissoras americanas da March for Life 2018, ainda que desta tenha participado também Donald Trump, foi de somente 2 minutos e 6 segundos; enquanto no outro dia aquela feminista teve um espaço três vezes maior, ou seja, em torno de 6 minutos e 43 segundos.

Relativamente à eutanásia, a narração do ‘caso piedoso’ é muito mais instrumental com “uma intenção não mais de informar as pessoas, como seria justo, mas de gerar nelas um sentido de profunda piedade e indulgência em relação a quantos preferiram por fim ao sofrimento de uma pessoa ao invés de prolongar ‘uma existência dolorosa”. E assim a razão econômica é anteposta à dignidade do paciente.

Procede-se com o mesmo método também em relação a tema da violência contra as mulheres, sobre a qual se continua a insistir jogando a culpa principal para a família ‘tradicional’. É mistificada desta maneira mais uma vez a realidade enquanto “a maior parte da violência contra as mulheres não se manifesta dentro do matrimônio, antes é verdadeiro o oposto: a condição conjugal é mediamente uma garantia,, respeito a todas as outras, pela segurança feminina”.

Frequentemente se torna legítimo também recorrer a evidentes fake News, também jogando lama sobre a Igreja. Basta recordar que “se dizia que Bento XVI andava por toda parte com sapatos da marca Prada, quando estes eram na realidade um produto artesanal doado ao Santo Padre por um sapateiro de Novara”. Atualmente, porém parece que a técnica manipuladora tenha mudado o seu registro. “Já faz algum tempo – destaca com precisão enfim Guzzo – se assiste a uma surpreendente mutação genética que, com insistência agressiva, prefere os jogos de palavras, na defesa de um credo, patrocinando opiniões, na promoção de ideologias coletivas como a de convicções individuais, mas não por isto ideológicas e menos funcionais para lógicas de domínio”. O remédio permanece sempre o mesmo: vigiar e vigiar para permanecer fiéis à realidade.




quarta-feira, 24 de julho de 2019

50° Aniversário: O homem na lua, a reflexão de Paulo VI


No aniversário de 50 anos do desembarque do homem sobre a Lua, publicamos as palavras pronunciadas pelo Papa Paulo VI no Angelus de 20 de julho de 1969, que propõem uma reflexão que permanece de extraordinária atualidade.


 Hoje é um dia grandioso, um dia histórico para a humanidade, se realmente dois homens pisaram na Lua esta noite, como Nós, com todo o mundo ansioso, exultante e cheio de oração, esperamos que aconteça. Faremos bem em meditar sobre este extraordinário e surpreendente acontecimento; em meditar sobre o cosmos, que se abre diante do seu rosto mudo, misterioso, no quadro ilimitado dos séculos e dos espaços sem medida.
 
O que é o universo, de onde vem, como, por quê? Faremos bem em meditar sobre o homem, sobre seu gênio prodigioso, sobre sua coragem ousada, sobre seu progresso fantástico. Dominado pelo cosmos como um ponto imperceptível, o homem com o pensamento o domina. E quem é o homem? Quem somos nós, capazes de tanto? Faremos bem em meditar sobre o progresso. Hoje o desenvolvimento científico e operativo da humanidade chega a um limiar que parecia inatingível: o pensamento e a ação do homem aonde poderão ainda chegar? 

A admiração, o entusiasmo, a paixão pelos instrumentos, pelos produtos do gênio e da mão do homem nos fascinam, talvez até à loucura. E aqui está o perigo: desta possível idolatria do instrumento nós deveremos nos proteger. É verdade que o instrumento multiplica além de todo limite a eficiência do homem; mas esta eficiência está sempre em vantagem dele mesmo? O faz melhor? Mais homem? Ou não poderia o instrumento aprisionar o homem que o produz e torná-lo servo do sistema de vida que o instrumento na sua produção e no seu uso impõe ao próprio senhor?

Tudo ainda depende do coração do homem. É preciso absolutamente que o coração do homem se torne tanto mais livre, tanto melhor, tanto mais religioso, quanto maior e perigosa é a força das máquinas, das armas, dos instrumentos que o homem coloca a sua própria disposição.

Na emoção deste dia fatídico, verdadeiro triunfo dos meios produzidos pelo homem, pelo domínio do cosmos, nós devemos não esquecer a necessidade e o dever que o homem tem de dominar a si mesmo. Ainda existem, o sabemos, três guerras acontecendo na face da terra: o Vietnam, a África, o Médio Oriente. Uma quarta foi acrescentada já com milhares de vítimas entre Salvador e Honduras. Exatamente nestes dias! E depois a fome aflige ainda inteiras populações. Onde se encontra a verdadeira humanidade? Onde está a fraternidade, a paz? Qual seria o verdadeiro progresso do homem se estas tragédias perdurassem e se agravassem? Possa ao invés o progresso, do qual hoje festejamos uma sublime vitória, voltar-se para o verdadeiro bem, temporal e moral da humanidade. E nesta intenção rezemos.


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