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sexta-feira, 26 de março de 2021

Tempo de Covid, tempo de stress. Como manter a saúde mental e da alma?

Aldo Maria Valli

Como permanecer mentalmente e espiritualmente sadios neste período marcado pela Covid?

A pergunta interessa a todos. O stress causado pela pandemia já teve um pesado impacto na saúde mental e espiritual. E pelo fato de que a luz no fundo do túnel ainda parece distante existe o risco concreto que tensão psicofísica e nervosismo que possam levar a verdadeiras e próprias patologias. Portanto, quais as respostas? E quais os comportamentos a assumir enquanto católicos?

Em uma entrevista ao National Catholic Register o psicólogo católico Kevin Vost, estudioso de Santo Tomás de Aquino e autor de numerosos livros, explica que ânsia e solidão são os dois grandes problemas, evidentemente conexos. Se já antes da pandemia a solidão tinha todas as características de uma doença difundida, agora, com os lockdown e o distanciamento social, a situação é ainda mais crítica e as pessoas em risco de depressão aumentam.

Sob o perfil espiritual, um dos perigos maiores está no pecado de acídia, um sentido de geral apatia espiritual. A palavra acídia vem do grego e significa negligência, indiferença, falta de cuidado e interesse. A acídia se manifesta com um estado de abatimento, desânimo, prostração e de cansaço diante da própria vida. Um estado de cansaço interior que, se não interceptado e combatido, corre o risco de atingir a pessoa.

Do ponto de vista religioso, “se as pessoas perdem o hábito de ir à missa e receber os sacramentos (o que, dependendo de onde se vive, pode ser devido a restrições legais ou aos próprios medos de contrair o Covid), existe o risco que as preocupações mundanas substituam lentamente a Deus”. Deste modo, a relação com Deus sai da perspectiva da pessoa.

É premissa que a saúde mental e aquela espiritual – explica Vost – frequentemente estão estreitamente entrelaçadas, mesmo se podem existir distinções muito importantes, podemos dizer que existe saúde mental quando os pensamentos, as emoções e os comportamentos estão em linha com a justa razão, em contato com a realidade, em modo tal que consinta viver plenamente as nossas vidas, cumprindo os nossos papéis e deveres em modo eficaz, sem indevidos sofrimentos. Naquilo que se refere à saúde espiritual, pode ser vista como a medida em que dirigimos as nossas capacidades mentais e a nossa condição física, em qualquer estado se encontrem, em direção ao amor de Deus e ao cumprimento da sua vontade e dos seus mandamentos.

Muitos estudos demonstram que quem possui uma fé religiosa mais forte e práticas religiosas mais ativas, em geral, tende a ter também uma melhor saúde mental.

Os distúrbios mentais, prossegue o psicólogo, podem derivar de muitas causas e frequentemente derivam de interações entre as predisposições genéticas de uma pessoa e particulares situações estressantes. Portanto, somente porque uma pessoa sofre de um distúrbio mental não significa necessariamente que seja espiritualmente apática. Uma pessoa que se sente pra baixo ou sob pressão não chega automaticamente a dizer “me distanciei de Deus”. Não obstante atravesse um momento de dificuldade, uma pessoa que confia e espera em Deus pode sair também de um episódio de forte depressão. Depois de tê-lo suportado, pode ressurgir com renovada esperança e maior compaixão para com outras pessoas que sofrem.

Mas, como enfrentar, concretamente, a situação em que nos encontramos?

Os efeitos da pandemia variam de pessoa para pessoa, mas existe um dado comum: temos mais tempo a nossa disposição, porque tantas coisas que fazíamos agora não podemos mais fazer. Esta é uma oportunidade concreta para ser um pouco menos como Marta e um pouco mais como Maria (Lc 10, 38-42). Menos comprometidos, temos mais tempo para refletir, para concentrar-nos na coisas de Deus. É uma oportunidade. Podemos perguntar-nos: o que é verdadeiramente importante para mim? Posso usar este tempo e esta situação para aproximar-me de Deus? Como posso utilizar este tempo e esta experiência para desacelerar, concentrar-me no que conta, e depois manter estes hábitos e persistir quando as restrições terminarem?

Sobre a oração e a vida espiritual, é bom criar um esquema, um hábito. Se antes não se tinha tempo, agora é possível encontrar algum espaço para uma leitura espiritual, para a oração e a meditação. A solidão frequentemente faz sofrer, mas não esqueçamos que muitos grandes santos se tornaram mais fortes na fé exatamente atravessando períodos de solidão. Quando somos menos distraídos pelo mundo, podemos talvez estar em uma forma melhor para escutar a voz de Deus.

 Sobre a polarização que se criou também entre os amigos e com os próprios familiares, o psicólogo explica: “o fenômeno se difundiu por toda parte. Nos últimos anos falamos de uma crescente polarização política, e agora a vemos no modo em que muitas pessoas reagem ao Covid. Alguns não tomam praticamente precauções ou fazem quase de conta que o vírus não exista; outros vivem como prisioneiros, com um modo que vai bem além do que é solicitado pela prudência. Se espera que entre os dois opostos se encontrem muitas pessoas, mas certamente a possibilidade do conflito existe, é real. O vemos nas famílias, nas paróquias, nas dioceses”.

Que fazer a respeito disso? Uma coisa que se deve ter em mente é que as pessoas que reagem ao Covid em modo diferente do nosso possuem motivações. Não devem ser demonizadas, não devemos torná-las inimigas ou falar mal delas pelas costas. É bom concentrar-se sobre nós, sobre nossas famílias, mais que olhar o que fazem os outros. Se nos damos conta que alguém, segundo nós, erra, podemos aplicar o princípio da correção fraterna e rezar por estas pessoas. Sem jamais esquecer que estamos todos procurando fazer a coisa certa. Portanto, certamente, não queremos tratar-nos uns aos outros em modo odioso ou desrespeitoso enquanto procuramos retirar o melhor desta situação.

A pandemia está tendo conseqüências também na vida das crianças. Como devem se comportar os pais católicos para manter os seus filhos mentalmente e espiritualmente sadios?

“Obviamente existem diferenças segundo a idade das crianças e da situação familiar. Uma das coisas melhores que os pais podem fazer é, apesar das dificuldades, evitar lamentações e procurar não transmitir aos filhos um senso de preocupação e perigo. Se, pelo contrário, mostramos a eles que existem ainda alegrias a obter na vida, que podemos ainda amar o nosso tempo a transcorrer juntos, que Deus está ainda sempre ali conosco, tudo isso os ajudará muito. Algumas crianças podem ter medo muito exagerado do próprio risco de mortalidade por Covid. A American Academy of Pedriatics há pouco apresentou um estudo que mostra que, graças a Deus, o número de mortos por Covid entre crianças é extremamente reduzido em relação aos adultos. Dez Estados americanos registram zero mortos entre os menores. Um outro artigo recente, na revista Time, mostrou que em trinta e oito países de todo o mundo entre os menores de quinze anos existiram menos mortos em relação aos anos precedentes. Podemos fazer com que os nossos filhos compreendam que o problema é sério, que as restrições devem ser seguidas para o nosso bem e para o dos nossos caros, mas que, ao mesmo tempo, não estamos diante de algo que justifique uma vida aterrorizada. Um dia, naturalmente a morte chegará para todos nós. Nenhum de nós sabe quando, mas Deus está sempre ali a vigiar sobre nós”.

Outra coisa que os pais podem fazer, se possuem mais tempo livre, é desfrutar deste tempo com seu filhos procurando ocupar-se em atividades comuns, talvez também fixando um objetivo para diminuir o tempo transcorrido diante da tela do PC, tablet e smartphone e aumentando aquele dedicado a conversar, a jogar.

Os idosos representam a categoria mais exposta ao risco, não somente para Covid, mas também para a epidemia de solidão que estava já acontecendo antes. O que fazer? Em certos casos se encontram em casas para idosos às quais não podem ser visitadas. Em outros casos, vivem em suas casas, mas, por razão de prudência, é melhor não visitá-los. Podemos então fazer uma chamada por telefone todos os dias. Caso eles saibam usar a internet, podemos usar estes instrumentos para ter uma interação a distância. O importante é demonstrar a eles que são importantes para nós, que não os esquecemos.

“Recordo – diz o psicólogo – que há alguns anos, quando existiam ainda os antigos telefones pregados nas paredes, pela noite, depois do jantar, enquanto lavava os pratos, chamava minha mãe e, para ela aquele contato quotidiano era importante. A pergunta é: dentro do que é permitido de fazer, como  podemos chegar àqueles familiares que agora são mais desconectados que nunca?”.

Para concluir, explica Vost, é bom recordar que a efetiva virtude teologal da esperança é a esperança que alcançaremos o Paraíso, que um dia estaremos ali em beatitude com Deus e que Deus nos dará todas as graças, todas as respostas de que temos necessidade. Tenhamos em mente: Deus está ali por nós. Portanto também em tempo de luta, as graças estão disponíveis, estão ali. Talvez é um daqueles ensinamentos difíceis, não é uma pílula fácil de engolir, mas é bom pensar nas primeiras palavras da carta de Tiago (1, 2-4): “Considerai perfeita alegria, meus irmãos, quando tiverdes de suportar todo tipo de provas, sabendo que a vossa fé, colocada à prova, produz paciência. E a paciência completa em vós a sua obra, para que sejais perfeitos e íntegros, sem faltar nada”. Quando enfrentamos as dificuldades, existe uma finalidade. Deus nos deu a graça da qual precisamos para suportá-las, e destas sairmos mais fortes”.

 

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O artigo é inspirado no original, Timely Tips for Staying Mentally and Spiritually Healthy in Covid Times, de Peter Jesserer Smith

 

Fonte: https://www.aldomariavalli.it/2021/03/08/tempo-di-covid-tempo-di-stress-come-mantenere-la-salute-mentale-e-dellanima/

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

Reforma do Mosteiro - Nossa Senhora da Santíssima Trindade


Queridos benfeitores, vimos bater à porta do seu coração, sempre generoso e solícito conosco. Como podem ver pelas fotos que lhes envio, o telhado da nossa capela chegou ao fim. Uma reforma do mesmo é urgentemente necessária o mais rápido possível; na verdade, as telhas de PVC estão se quebrando e o teto interno está cedendo. Quando chove, a água inunda literalmente a capela.

Temos duas possibilidades: ou refazer a estrutura tal como está, ou seja, com estrutura de ferro e telhas de PVC, ou reforçar as colunas e fazer o telhado de laje. Somos direcionados para esta última solução, pois é durável ao longo do tempo, enquanto a outra necessita de manutenção a cada 3 anos, e sua durabilidade é o que conhecemos. Não podemos, economicamente, nem é aconselhável por vários motivos, reabrir o telhado a cada 3 anos para manutenção. Para isso estamos direcionados para a opção de um laje de concreto.

Peçamos a sua ajuda, pela casa do Senhor, que certamente não deixa sem recompensa quem se interessa pelo decoro da sua casa.

Para isso, abrimos uma conta especial, para arrecadar as ajudas que serão destinadas à reforma da capela. Seja qual for a sua disponibilidade, agradecemos de coração neste momento.

O que você pode doar para esta causa será sempre uma grande ajuda. Estamos enviando os dados do novo banco abaixo.

terça-feira, 19 de janeiro de 2021

Chega a vacina anti Covid?

 Francesca Romana Poleggi

 O argumento “vacina sim – vacina não” tornou-se um terreno de confronto ideológico. O demonstra o episódio do doutor Grisanti que passou das estrelas para os estábulos por ter publicamente expresso sérias reservas sobre as vacinas anti coronavirus que parece sejam de iminente comercialização (ainda que se um dia sim e outro não, se dão negações e contra-negações; e, no entanto, a minha velha mãe – que vive em Roma, na zona central – ainda não consegue receber a normal vacina contra a gripe, tão recomendada por todos, por que “não chegou”).

Longe de nós querer assumir uma posição ideológica sobre o assunto (tanto o “no vax”, sem se, e sem mas, não parecem razoáveis, quanto aqueles que desejariam obrigar todos a receber todas as vacinas que estão em circulação), consideramos necessário

– in primis, conhecer as argumentações de quem não considera que as vacinas – e em particular a próxima eventual vacina anti Covid – sejam eficazes e salutares para todos e em todos os casos;

- in secundis, consideramos oportuno conhecer as argumentações de quem as  levanta a respeito de determinadas vacinas – também anti Covid – um problema ético (não necessariamente “religioso”);

- e enfim, merece uma reflexão a questão da obrigatoriedade vacinal em tempos em que não se faz outra coisa que exaltar a autodeterminação.

 O problema para a saúde: o DNA fetal nas vacinas

 - Quanto ao primeiro ponto, deveria ser o médico responsável a dizer se tal vacina é eficaz e salutar para tal paciente, com o claro risco inevitável de efeitos colaterais (deveria também ser aprofundada a questão levantada recentemente pelo Lyons et al. (1) no International Journal of Environmental Research and Public Health segundo a qual as crianças não vacinadas são surpreendentemente mais sadias que aquelas vacinadas). Existe depois uma importante questão a esclarecer. Muitas vacinas são derivadas de células fetais: portanto, o Dna do feto entra inevitavelmente em círculação no organismo de quem recebe. Isso comporta sérios riscos para a sua saúde, porque poderia desencadear um processo conhecido como “recombinação homóloga” (2) que resulta na modificação do patrimônio genético do receptor da vacina (3). São formadas mutações e das novas células que o sujeito vacinado não reconhece como próprias e provocam uma resposta assim chamada “autoimune”, com as conseqüentes doenças e distúrbios do espectro do autismo (4).

A Food & Drug Administration dos estados Unidos (a agência federal de controle sobre remédios) e a Oms, em 2005, reconhecendo a subsistência de riscos oncogênicos associados à presença de DNA humano nas vacinas, tinham estabelecido que deveria haver menos de 10 ng (nanogramas) (5). Com o tempo, vários pesquisadores demonstraram que o limite indicado não é quase nunca respeitado. Um exemplo entre tantos, denunciado pela associação Corvelva: no Priorix Tetra, usado nas crianças de 11 meses até aos 12 anos de idade para sarampo, caxumba, rubéola e catapora, foram encontradas inicialmente quantidades de DNA de 1 a 2,7 e depois até 3,7 microgramas por frasco (1 micrograma é igual a 1000 nanogramas). Isto viola também a convenção de Oviedo e outras normas internacionais que vetam a modificação do patrimônio genético dos seres humanos.

Quanto às futuras vacinas anti Covid, portanto, consideramos que por respeito ao princípio do consenso informado, seja necessário pretender que exista a máxima transparência sobre a entidade do Dna humano presente nelas.

Mas, qual autoridade guardará no coração a nossa saúde sobre este ponto? A Oms e os outros entes de observação que até agora concederam aos produtores de vacinas de ignorar e de violar os limites acima indicados?

O Charlotte Lozier Institute publica e atualiza constantemente a relação das vacinas éticas e  não éticas que estão em circulação. Na tabela atualizada em 10 de novembro de 2020 estão elencadas as possíveis vacinas SARS-CoV-2 (COVID-19) que utilizam linhas celulares derivadas do aborto (para a produção e/ou para o teste do soro), e aquelas que ao invés são retiradas de células animais (macacos, hamsters, invertebrados), de vegetais, ou que são seqüências desenhadas no computador, ou mesmo que são de células humanas retiradas eticamente (por exemplo, do cordão umbilical). É indicado, além disso, o País de produção, e a que ponto está a pesquisa (se está na fase de experimentação ou não).

 Por exemplo, se ouve muito falar da vacina da Johnson & Johnson (cultivada da linha celular PER.C6, derivada da retina de uma criança de 18 semanas abortada em 1985) ou aquela da Pfizer e da Moderna (testadas da célula HEK293, retirada dos rins de uma menina sadia abortada na Holanda em 1973). Também o Instituto Europeu de Bioética confirmou o uso de linhas celulares de fetos abortados em muitas das vacinadas elencadas pelo Lozier Institute, como por exemplo Astrazeneca da universidade de Oxford, Medicago (canadense), Altimmune (USA) e CanSino Biologics, Sinovac Biotech Co e Anhui Zhifei Longcom (chineses).      

De encontro a isso, estão em preparação também muitas vacinas éticas, em diversas partes do mundo, como por exemplo, aquela da  Sinopharm, na China, aquela do Instituto de pesquisa João Paulo II, nos Estados Unidos, aquela do instituto Pasteur e Themis and Merck ou aquela da Sanofi e GSK (franco-americanos), um desenvolvido pela Universidade do Queensland, na Austrália, o CureVac alemão, o Genexine coreano.

O problema ético

- Quanto ao segundo ponto, ao invés, o problema ético relativo às vacinas que  na origem têm células retiradas de crianças abortadas, não é insignificante. Não se trata. De fato, somente de fetos abortados nos distantes anos Sessenta, como dizem alguns: o Comitê cidadãos para a objeção ético-religiosa, publicou diferentes documentos que demonstram o contrário [é possível ler um artigo na nossa Revista do mês de outubro de 2020 e é possível pedir o artigo completo à redazione@provitaefamiglia.it]. Por exemplo, os autores de uma pesquisa chinesa de 2015 (6), Bo Ma et al., induziram o aborto em nove mulheres (e dado que estamos na China não é nem mesmo dito se elas estavam consentindo no que estava acontecendo...).

E não se trata do simples uso (ou abuso) de pequenos cadáveres, porque existem diversos estudos e diversos testemunhos concordes em afirmar que se procura fazer sobreviver as crianças ao aborto para poder retirar órgãos frescos: já em 1987 falava disto Peter McCullagh (7); mais recentemente, em 2016, a coisa surgiu de novo nos Usa, quando o Center for Medical Progress publicou uma série de vídeos em que David Daleiden, com uma tele câmera, demonstrou o tráfico de órgãos de crianças abortadas decorridos entre a Planned Parenthood e as indústrias farmacêuticas ou as universidades (8).

Também os pesquisadores chineses, que induziram o aborto às nove mulheres citadas já antes, fizeram nascer vivas as crianças cujos órgãos foram enviados aos laboratórios para preparar as células de cultura das vacinas.

Neste contexto não é relevante o ser ou não ser favorável ao aborto. O dilema é de nível superior e consiste em decidir se seja lícito ou não usar um ser humano.  Mesmo se para uma finalidade em si boa. Por que um “leigo” como Kant dizia que o homem não pode jamais ser um meio, mas é sempre um fim?

Quem admite a licitude de usar alguém para o bem de algum outro assume que um seja uma pessoa de classificação e dignidade inferior ao outra. A quem queremos dar o poder de estabelecer quais são os indivíduos de série A e aqueles de série B? Quem hipoteticamente discriminasse os seres humanos em base à raça, ao sexo, ou às opiniões políticas, seria condenado sem apelo pelo mundo inteiro pela violação do princípio de igualdade que está no fundamento das Cartas constitucionais de todos os Países civilizados.

As discriminações em base à religião e à idade ao invés, são toleradas: se quer abolir a objeção de consciência e as crianças no ventre materno são tão pequenas que podem ser manipuladas (e supressas) sem escrúpulos.  

Até aqui as questões éticas, que, porém não importam a muitos em uma sociedade materialista e utilitarista como a nossa.

 O problema da liberdade e da autodeterminação

- Sobre o terceiro ponto, ao invés, todos deveriam estar interessados, enquanto todos somos promotores dos direitos humanos e em particular do direito à liberdade.

De fato, se a vacina anti Covid, qualquer que seja, devesse ser obrigatório – como se escuta dizer por aí – e até mesmo conditio-sine-qua-non para poder exercitar as liberdades civis democraticamente garantidas pela Cosntituição, estaremos realmente no meio de uma ditadura, em um pesadelo distópico a ponto de fazer ficar pálidos Huxley e Orwell.    

Vice-versa, em nome do princípio da autodeterminação que tanto é caro a estes tempos, pedimos fortemente a máxima transparência sobre as vacinas que já estão em circulação e sobre aquelas anti Covid que serão colocadas no mercado: seja em relação a origem delas, seja em relação aos efeitos colaterais. Pedimos a liberdade de escolher se receber a vacina ou não. Por isso, pedimos que as autoridades no comando da vigilância sobre os remédios e da tutela de nossa saúde, a começar pela Oms, sejam livres de condicionamentos por parte das indústrias farmacêuticas que produzem as vacinas acima citadas e que procuram a óbvia e legítima finalidade de maximizar o lucro.

Sabemos que os principais financiadores da Oms são exatamente as indústrias farmacêuticas e as fundações Bill e Melinda Gates, que participa substancialmente à Gavi (“aliança global para as vacinas e a imunização”): é verossímil, portanto que seja compromisso, por esta razão, o primeiro dos “direitos humanos”, ou seja, o direito à verdade, sem a qual é impossível operar escolhas verdadeiramente livres e responsáveis.

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Notas:

1 -  Lyons J et al, Relative Incidence of Office Visits and Cumulative Rates of Billed Diagnoses Along the Axis of Vaccination, International Journal of Environmental Research and Public Health,22 November 2020
https://www.mdpi.com/898424
2 - K. Koyama et al, Spontaneous Integration of Human DNA Fragmentsinto Host Genome, Sound Choice Pharmaceutical Institute, Seattle, WA http://soundchoice.org/wp-content/uploads/2012/08/DNA_Contaminants_in_Vaccines_Can_Integrate_Into_Childrens_Genes.pdf
3 - Deisher TA, et al, Epidemiologic and MolecularRelationshipBetween Vaccine Manufacture and AutismSpectrumDisorderPrevalence, Issues Law Med. 2015 Spring;30(1):47-70 https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/26103708
4 - Helen V. Ratajczak, Theoretical aspects of autism: Causes—A review, Journal of Immunotoxicology, 2011; 8(1): 68–79 http://www.rescuepost.com/files/theoretical-aspects-of-autism-causes-a-review1-1.pdf.
Theresa A. Deisher et al, Impact of environmental factors on the prevalence of autistic disorder after 1979, Journal of Public Health and Epidemiology,Vol. 6(9), pp. 271-284, September 2014 www.cogforlife.org/scpiJournalPubHealthEpidem092014.pdf;
Keith Peden, Division of Viral Products Office of Vaccines Research and Review CBER, FDA, Issues Associated With ResidualCell-Substrate DNA, Vaccines and Related Biological Products Advisory Committee, November 16, 2005 http://www.cogforlife.org/FDApowerpointDNA.pdf
5 - Yang H, Establishing acceptable limits of residual DNA, PDA J Pharm Sci Technol. 2013 Mar-Apr;67(2):155-63 (https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/23569076).
Report - WHO Informal consultation on the application of molecular methods to assure the quality, safety and efficacy of vaccines, WHO, Geneva, CH, 7-8 April 2005 (https://www.who.int/biologicals/Molecular%20Methods%20Final%20Mtg%20Report%20April2005.pdf)
6 - Ma B, et al, Characteristics and viral propagation properties of a new human diploid cell line, Walvax-2, and its suitability as a candidate cell substrate for vaccine production. Hum VaccinImmunother 2015;11(4):998-1009 (https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4526020)
7 - The foetus as transplant donor. Scientific, social and ethical perspectives, Wiley in Chichester, 1987; https://www.researchgate.net/publication/25178659_The_Foetus_as_Transplant_Donor_Scientific_Social_and_Ethical_Perspectives
8 - A proposito delle tecniche usate per prelevare organi freschi si può vedere su You Tube la testimonianza data sotto giuramento da alcuni funzionari della Planned Parenthood [https://youtu.be/POdbu4bp5rQ. 
Anche qui la denuncia è chiara https://www.lifenews.com/2019/06/14/unborn-babies-are-being-extracted-from-their-mothers-wombs-alive-to-have-their-livers-harvested/ . E anche qui: https://www.provitaefamiglia.it/blog/planned-parenthood-commercia-bambini-abortiti-indaga-lfbi. 
Sul sito del CMP ci sono ancora tutti i video: https://www.centerformedicalprogress.org/

Fonte: https://www.provitaefamiglia.it/blog/arriva-il-vaccino-anti-covid

 

Para quem desejar aprofundar a questão:

http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/documents/rc_con_cfaith_doc_20201221_nota-vaccini-anticovid_po.html

http://www.vatican.va/roman_curia/congregations/cfaith/documents/rc_con_cfaith_doc_20081208_dignitas-personae_po.html

segunda-feira, 30 de novembro de 2020

Com Biden o verdadeiro perigo se chama Kamala Harris. Abortista e pró-Lgbt, eis quem é a vice-Presidente

Giuliano Guzzo


 O Presidente eleito dos Estados Unidos, segundo as projeções dos principais órgãos da imprensa, é Joe Biden, obviamente sem os recursos de Donald Trump, que, porém está sofrendo as pressões dos seus fidelíssimos que estão lhe convidando a reconhecer a vitória do seu adversário e de acordo com os últimos rumores, o próprio magnata já estaria pensando nas eleições de 2024.

As  mídias de todo o mundo, sobretudo a grande imprensa, estão porém todos loucos por ela, a sua vice, Kamala Harris. Nasceu em 1964, de mãe indo-americana e pai de origem jamaicana, tendo estudado na Howard University e no Hastings College of the Law de San Francisco, já exerceu o cargo de promotora distrital de San Francisco, a expoente democrática ainda não – como é óbvio – cumpriu nenhum ato formal, mesmo se está afirmando como a queridinha progressista global. Coisa que, em parte, é também compreensível.

Sim, porque a Harris encarna perfeitamente os cânones do progressismo: o multiculturalismo, o feminismo 2.0, o anticlericalismo, o apoio à cultura de gênero e ao abortismo mais extremo. Exagerações? Infelizmente não. Basta pensar em como, quando era promotora geral da Califórnia, a mulher – que tem fama de ser durona e determinada – defendeu o colosso abortista Planned Parenthood de sombras muito pesadas, a partir da acusação de venda de partes de crianças abortadas, em aberta e total violação de diversas leis federais. Todas as coisas das quais, é claro, existem filmes registrados em terras californianas.

Não obstante isso, a Harris anunciou que teria investigado os jornalistas do Center for Medical Progress (CMP, responsáveis de ter documentado o  mencionado horror (que muitos, evidentemente, queriam manter oculto), ao invés de investigar a Planned Parenthood, que de fato destinou a Biden e sócia uma contribuição para sustentação eleitoral de 45 milhões de dólares, não pouca coisa. Mas, retornemos à nova vice-presidente, a qual, como senadora, se distinguiu também por ter literalmente pressionado Brian Buescher, nomeado juiz distrital federal em Nebraska.

O motivo pelo qual Harris tinha se dirigido a Buescher é a sua pertença aos Cavaleiros de Colombo, que não é uma organização terrorista, nem uma perigosa seita, mas sim uma fraternidade católica com, entre outras coisas, um século de história e que, com dois milhões de membros, promove atividades de caridade. Não obstante isso, a política dem se lançou contra Buescher, perguntando-lhe se fosse “conhecedor do fato que os Cavaleiros de Colombo se opuseram à igualdade matrimonial” – oposição que vem evidentemente por ela vista como horrível -, quando este tinha se unido à fraternidade.

Sim, porque além de abortista convicta, a nova vice-presidente – como já se acenava – é uma financiadora dos movimentos Lgbt e declarou com orgulho de ter ela mesma celebrado matrimônio gay. Não somente. A nova vice-presidente publicamente se orgulha, não faz muito tempo, de ter obrigado, quando era promotora, as empresas de propriedade religiosa e os centros para a gravidez pró-vida a agir contra a própria consciência. Temos o que fazer com uma abortista, inimiga da família natural – batalha que compartilha com o movimento Black Lives Matter, que a Harris apóia com convicção – e além do mais anticristã.

O único aspecto que parece tornar a nova estrela do progressismo mundial aceitável também por alguns cristãos é o seu ser a favor das portas abertas, ou melhor, escancaradas para a imigração, para o reconhecimento dos clandestinos e pela destruição de qualquer muro, barreira ou confim como queira chamar. Agora, prescindindo de como pense sobre este último tema – que, por inciso, por quanto relevante não serve entre aqueles eticamente não negociáveis – é todavia gritante como temos o que fazer com uma representante das instituições  opostas a tudo isso que sabe que é de direito natural, personalismo ontológico e ética cristã.

Com efeito, em relação à Harris até mesmo alguém como Joe Biden – cujo diversos sacerdotes católicos, nos meses passados, negaram a comunhão exatamente pelo seu orgulhoso e reivindicado abortismo – corre o risco de passar como um moderado; o que , infelizmente, é real.  Resulta como os próximos quatro anos, para qualquer um que tenha no coração os valores da vida, das famílias e da liberdade religiosa, correm o risco de ser muito, muito, complicados; sobretudo, pelo papel que Kamala Harris fará de tudo para ter contra estas instituições.

Fonte: https://www.provitaefamiglia.it/blog/con-joe-biden-il-vero-ed-enorme-pericolo-si-chiama-kamala-harris-abortista-e-pro-lgbt-ecco-chi-e-la-vice-presidente

sexta-feira, 6 de novembro de 2020

Ennio Morricone, quando a fé se faz música

Tommaso Scandroglio

Ennio Morricone morreu “com o conforto da fé”. Compositor católico, conhecido pelas suas composições, dos faroestes, de Era uma vez na América e de A missão, era antes de tudo um homem de fé que exprimia na música a própria espiritualidade. Ainda que esnobado pelos críticos compôs também muitas obras de música contemporânea, que era a sua verdadeira paixão e que ele definia “absoluta”.

 

Em uma nota da família se lê que Ennio Morricone morreu “na madrugada de 6 de julho em Roma com o conforto da fé”. Esta é talvez a notícia mais relevante dentro da notícia do falecimento do compositor romano: Morricone deixou esta terra com o conforto da fé, expressão que, assim queremos esperar, queira dizer “com o conforto dos sacramentos”.

E por falar do autor das músicas de Per un pugno di dollari e de C’era una volta in America começamos pela sua relação com Deus, porque todo o resto é secundário, também para os homens de grande talento como ele. Em uma entrevista dada em 2015 à revista Famiglia Cristiana assim Morricone falava da educação católica que tinha recebido: “Venho de uma família cristã. A minha fé nasceu na família. Os meus avôs eram muitos religiosos. Com minha mãe e as minhas irmãs sempre rezamos antes de ir dormir. Recordo o período da guerra. Durante aqueles terríveis a nos rezávamos o rosário. Éramos todos muitos impressionados. Recordo-me sonolento respondendo as Ave-Marias de minha mãe. Sempre fomos religiosos. No Domingo íamos à Missa e nos aproximávamos do sacramento da Comunhão”. Uma fé que, mesmo com algum reflexo de cristianismo social, era viva ainda na idade madura: “Eu rezo uma hora por dia, mas também mais. É a primeira coisa que faço. Também durante a jornada, por acaso. Pela manhã paro diante daquele Cristo (e indica uma imagem de Jesus presente na sala). E também à noite. Espero que as minhas orações sejam escutadas”.

Depois uma pergunta sobre a relação entre a música e Deus: “A música é certamente próxima de Deus – responde o maestro – A música é a única verdadeira arte que nos aproxima verdadeiramente do Pai eterno e da eternidade”. Se os olhos são o espelho da alma, para Morricone também a sua música o era e revelava muito dele: “Luciano Salce, cineasta para quem musiquei diversos filmes, um dia me chamou e disse: “Devo deixar-te”. “Por que?”. Éramos amigos e permanecemos amigos até a morte. “Porque eu faço filmes cômicos e você faz uma música espiritual, sacral. Devo deixar-te por força”. Este episódio me marcou muito. Graças a ele comecei a pensar sobre isso. Provavelmente às vezes exprimo sacralidade também quando não a procuro ou não penso nela”. Se por uma parte algumas suas músicas exprimem implicitamente uma tensão para o transcendente, outras suas composições se inserem intencionalmente no repertório sacro. Pensemos por exemplo Amen, Missa Papae Francisci, Una Via crucis.

Se citas Morricone, citas “trilhas sonoras para filmes”, mas na realidade o compositor romano abrangeu muitos gêneros e fez arranjos em canções muito célebres como, entre muitas, Sapore di sale, Il mondo, Se telefonando. Entre estes gêneros aquele que cultivava com mais paixão era a música contemporânea, que ele chamava “música absoluta”, talvez porque, nas suas intenções, tinha valor por si mesma, sem necessidade de um filme para que fosse escutada. Se por duas vezes vencedor do Óscar, a música contemporânea que ele escreveu foi sua jóia mais preciosa, ela foi essencialmente desprezada pelos críticos, seus colegas compositores e pelo público. Este último entra compreensivelmente em êxtase por Gabriel’s oboe, peça famosa que retorna mais vezes no filme A missão e cuja melodia dá prova, junto a muitas outras trilhas sonoras, sobre como Morricone fosse um dos herdeiros mais dignos de hoje do belo canto italiano. Certamente o grande público não se aventura em escutar os seus concertos para instrumentos e orquestra ou peças como Frammenti di Erossu ou as músicas para balés Requiem per un destino, composições das quais ignora muito provavelmente até mesmo a existência (no YouTube o número de ouvintes chega a uma centena contra o milhão e trezentos mil de Gabriel’s oboe).

Agora se o senhor Rossi despreza o Morricone autor de músicas contemporâneas porque não é assim tão cativante como as suas trilhas sonoras, o ambiente que gravita ao invés à assim chamada música contemporânea o olhou sempre com desconfiança pelo motivo oposto: uma música somente aparentemente culta, mas na realidade muito utilizável, muito melódica, muito “potável” (se és compreensível, não és culto),  privada de dissonâncias, tropeços, dores e gritos que deveriam ser uma marca de garantia para quem quer escrever hoje música séria. E de fato o Nosso tinha estudado na escola de Goffredo Petrassi e substancialmente a instalação de seus trabalhos – diante de qualquer experimentação – era tonal, portanto audível. Uma verdadeira blasfêmia, sobretudo pensando nos anos em que Morricone se formou e iniciou a escrever, anos em que se impunha a dodecafonia, o estruturalismo, o minimalismo. Além dos ambientes acadêmicos não lhe perdoaram jamais o seu vender-se e vulgarizar-se com as músicas pop para os filmes. Uma pessoa indesejável, um pária, em boa substância, nos ambientes que contam.

De sua parte, Morricone jamais escondeu que começou a escrever música para filmes para ganhar o pão (Petrassi detestava esta sua escolha porque impura) e assim ser capaz de escrever música culta.   Mas a fama lhe vem da produção popular e não parou mais como compositor contemporâneo. Um paradoxo: um homem que foi elogiado a nível mundial pelo público e pela quase totalidade dos cineastas, que venceu dezenas e dezenas de prêmios e que marcou para sempre a história da produção musical para a grande tela, não encontrou quase nenhum reconhecimento pelas obras que ele julgava de maior mérito.

Perguntamos-nos então se morreu com este arrependimento, com o arrependimento de ter passado para a história pelo O bom, o bruto, o mau e não pelas 4 Anamorfose latinas. Talvez não a julgar pelo seu caráter humilde que o levou a pedir exéquias em forma privada, porque – assim deixou escrito no seu testamento – “não quero perturbar”.

Sugerimos escutar esta homenagem feita pelo músico Hauser a Ennio  Morricone: https://www.youtube.com/watch?v=KYlHiACHGiU


 

Ou ainda se preferir: https://www.youtube.com/watch?v=oag1Dfa1e_E


 

Filme “A missão”: https://www.youtube.com/watch?v=ILaWuZl4HkA


 

Fonte: https://www.lanuovabq.it/it/ennio-morricone-quando-la-fede-si-fa-musica

quinta-feira, 22 de outubro de 2020

João Paulo II: Os cônjuges Wojtyla em direção aos altares

 Costanza Signorelli





A arquidiocese de Cracóvia obteve da Conferência episcopal polonesa a permissão para dirigir-se à Santa Sé e dar início ao processo de beatificação dos pais do Papa Wojtyla: Karol Wojtyla e Emilia Kaczorowska. Uma família na qual se respirava santidade.

Durante o seu pontificado, elevou aos altares 1.338 beatos e 482 santos, ou seja: um número superior a todos os santos proclamados pelos seus predecessores colocados juntos. E, sem dúvida, o Papa que mais contribuiu para tornar a santidade algo da atualidade, bem como uma concreta aspiração para todos os batizados de todos os tempos.

É claro que João Paulo II não poderia ser senão um santo, mas o que hoje nos chega como notícia oficial é que foi tal também porque era circundado por uma inteira família de santos.

Dito em outras palavras: a arquidiocese de Cracóvia, nos últimos dias, obteve da Conferência episcopal polonesa a permissão para dirigir-se à Santa Sé pedindo o início do processo de beatificação dos pais do Papa Wojtyla: Karol Wojtyla e Emilia Kaczorowska.

Deve-se dizer, porém, que se de um lado, a santidade do papa polonês se consumou sob o olhar de todos, suscitando a estima até mesmo do mundo mais laico, dos pais do mesmo Pontífice se disse muito pouco, a não ser por meio de algum caso que provocou um grande afeto no coração dos fiéis.

Entre os poucos documentos publicados a respeito, existe um que resume com simplicidade e grande eficácia a vida destes especiais cônjuges do século vinte. Trata-se do livro: “Le due madri di papa Wojtyla” (As duas mães do papa Wojtyla), de Renzo Allegri que, para vantagem do leitor, queremos citar alguns trechos dele. No texto, de fato, que leva o título por causa da estreita ligação entre a mãe de João Paulo II e a figura de santa Gianna Beretta Molla, canonizada e tanto amada pelo mesmo Pontífice, emergem numerosíssimos detalhes sobre a família Wojtyla, toda investida pelo espírito de santidade.

ROUBARAM O CORAÇÃO

“Emilia Kaczorowska era filha de um seleiro lituano e nasceu em Silésia no 26 de março de 1884. Teve oito irmãos. A família se transferiu para Cracóvia quando ela ainda era pequena. Teve uma infância bastante triste, marcada por dores e desgraças. Em poucos anos perdeu quatro irmãos e a mãe. Cresceu em um colégio de irmãs da Misericórdia. Pôde frequentar somente a escola elementar, depois teve que passar a ganhar a vida. (...) Quando tinha 18 anos, conheceu um soldado, Karol Wojtyla e se enamorou”.

“Karol era cinco anos mais velho que ela, tinha nascido em Lipnik, em uma família de alfaiates, e também ele tinha aprendido a profissão de alfaiate, mas tinha depois abandonado pela carreira militar. (...) Segundo um relatório militar austríaco, o suboficial Karol Wojtyla era julgado pelos seus superiores “honesto, leal, sério, educado, modesto, reto, responsável, generoso e incansável”. Emília o conheceu na igreja católica de Cracóvia, que ambos frequentavam”.

Os dois jovens logo roubaram o coração um do outro e em 10 de fevereiro de 1994 (ndt.: julgo ter sido erro de digitação; a data precisa deve ser 1894), em Cracóvia, na Igreja militar da cidade, dedicada aos santos Pedro e Paulo, se uniram em matrimônio.

Em 1906 nasce o primeiro filho deles, Edmondo. Por algum tempo a família Wojtyla transcorreu dias felizes e despreocupados, primeiro em Cracóvia e depois em Wadowice, para onde se transferiram por causa do trabalho de Karol. Mas aqui, logo, iniciou o tempo da dura provação.

A HORA DA DECISÃO EXTREMA

Já frágil de saúde, Emília teve dificuldade de restabelecer-se do primeiro parto: os médicos lhe tinham por isso aconselhado de contentar-se com aquele único filho. Mas, em 1914, a mulher ficou grávida uma segunda vez, e a neonata não viveu a não ser poucas horas ou, talvez, poucos dias. Quase nada se sabe desta segunda filha, chamada Olga, senão o fato da gravidez e morte, Emília saiu dessa situação muito comprometida fisicamente e profundamente marca no ânimo. Os médicos desta vez foram taxativos: a mulher deveria conduzir uma vida de máxima reserva e nem mesmo distante deveria pensar em outra gravidez. Mesmo assim, no final de 1919, Emília se deu conta que esperava uma nova criança.

“Tinha já trinta e cinco anos e meio – conta Allegri – e a nova gravidez se mostrou logo difícil. Os médicos disseram que seria fatal para ela e para o nascituro: deveria então interrompê-la. Deveria abortar. O problema era grave. Emília conhecia bem as próprias condições de saúde. Sabia do risco que corria e teria pensado em seu marido, em seu filho Edmondo, que tinha então catorze anos e, também em si mesma. Não é fácil aceitar morrer com trinta e cinco anos. Mas era uma mulher de grande fé. Nem mesmo por um momento considerou a possibilidade do aborto. Com simplicidade extrema se confiou no bom Deus. Mas, por nenhuma razão do mundo, teria impedido àquele seu menino de nascer: estava disposta a morrer. Os nove meses de gestação foram cheios de complicações para a saúde de Emília. O parto se mostrou difícil, mas a criança nasceu sadia e robusta. Era o 18 de maio de 1920”.

O próprio João Paulo II contou que nasceu no momento do por do sol em 18 de maio e que sua mãe, terminado o trabalho, disse à parteira que abrisse as janelas do quarto para que a criança pudesse ouvir os cantos marianos que os devotos entoavam na igrejinha ao lado da casa, durante a função religiosa do mês de maio.

Como dito, a gravidez que deu à luz o futuro Pontífice, foi fatal para a mãe: a partir daquele momento Emília viveu nove anos de autêntico martírio. Os distúrbios no coração e nos rins pioraram drasticamente. As enxaquecas a deixavam dias inteiros na cama, no escuro. A dor nas costas aumentava sempre mais e as pernas inchavam a tal ponto que raramente conseguia manter-se em pé. “Mesmo assim – contou a vizinha de casa – a senhora Wojtyla suportava a dor com fé. Não falava jamais dos seus distúrbios e conseguia sempre manter um sorriso doce e sereno nos lábios, mesmo nos momentos de maior sofrimento. (...) Era sempre muito educada, típica mulher daquele tempo. Era querida de todos e também as pessoas desconhecidas se davam conta desta sua tranquilidade interna e da sua profunda religiosidade”. Em 13 de abril de 1929, Emília Kaczorowska, literalmente consumada pela dor, subiu ao Céu com somente quarenta e cinco anos.

UM SEMINÁRIO DOMÉSTICO

Assim como a mãe tinha doado a vida duas vezes pelo seu filho, fazendo-o vir ao mundo, à custa da sua própria vida, igualmente fez o santo pai do futuro Pontífice, se tornando ao mesmo tempo pai e mãe do pequeno Karol, depois da morte de Emília.

Depois da mãe, também o irmão Edmondo  os deixou: tendo se tornado médico, ele morreu com somente 26 anos depois de tratar uma jovem paciente que sofria de escarlatina séptica e letal, que ele mesmo contraiu. Não obstante fosse obrigação, em tais casos, o isolamento e a suspensão da cura, o jovem médico em consciência preferiu arriscar e perder a vida, mas não abandonar a pobre sofredora.

A partir daquele momento a vida do Senhor Karol foi inteiramente consumida em fazer crescer aquele único filho que permaneceu e, mesmo se ainda jovem, o viúvo não quis mais esposar-se novamente. Descreve Allegri: “Construiu com o filho um núcleo familiar muito unido e harmonioso, mas guiado por um horário ferrenho e militar. Despertar as seis, café e Missa na paróquia. Depois Lolek (assim costumavam chamar o papa Wojtyla em família, ndr) ia para a escola e Karol (então aposentado) aproveitava para arrumar a casa, para lavar a roupa, para remendar as vestes e cozinhar. Pela tarde, depois do almoço Lolek podia dedicar-se por duas horas a jogar com os amigos, depois estudava com o pai. No final do dia, iam de novo a Igreja juntos, jantavam, faziam uma breve caminhada e iam dormir”.

Ao amigo jornalista francês André Frossard, Papa Karol Wojtyla confidenciou: “Meu pai era uma pessoa maravilhosa e quase todas as minhas recordações da infância estão ligadas a ele, os fatos dolorosos que nos atingiram, abriram nele imensas profundezas de ânimo. Todos os seus pensamentos e preocupações se transformavam na oração. O via frequentemente ajoelhado rezando. (...) O seu exemplo bastava para ensinar a disciplina e o sentido do dever, era uma pessoa excepcional. (...) Entre nós não se falava de vocação ao sacerdócio, mas o seu exemplo foi para mim de algum modo o primeiro seminário, um tipo de seminário doméstico”.


Fonte: https://lanuovabq.it/it/i-coniugi-wojtyla-verso-gli-altari