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sábado, 21 de março de 2020

«Ó Deus, livrai-nos da epidemia que nos está afligindo»


Uma oração da Diocese de Hong Kong relatada por “Mundo e Missão” junto ao testemunho de Padre Giorgio Pasini del Pime.



Diante da grave epidemia que está atingindo a China a Diocese de Hong Kong difundiu uma oração que é também um modo para olhar com os olhos da fé o que está acontecendo. Um texto que pode se tornar um bom antídoto também na Itália diante do medo e psicose, para uma solidariedade verdadeira com quem nestes dias sofre verdadeiramente por causa do Coronavírus.

A proposta de Hong Kong é relatada por “Mundo e Missão” que descreveu também o testemunho de Padre Giorgio Pasini, superior do Pime em Hong Kong.

Hong Kong é o coração da presença do Pime na China que exatamente nestas semanas celebra os 150 anos da chegada dos primeiros missionários do Instituto no Henan. Hong Kong para o Pime é a comunidade que permitiu não romper as relações com a China Continental mesmo nos momentos mais difíceis da atribulada história recente do País. 

Padre Pasini descreve como a sua comunidade está vivendo estes dias marcados pela emergência criada pelo Coronavírus: “A situação também aqui em Hong Kong é muito tensa, existe muito medo. Teme-se que os casos de Coronavírus possam se multiplicar. Celebramos a Missa usando todos as máscaras e distribuindo a Comunhão somente nas mãos, seguindo as disposições que nos deu a Diocese e que são fruto da experiência amadurecida com a epidemia da Sars. Mas o nosso papel de missionários hoje aqui é sobretudo aquele de infundir esperança. Hong Kong já viveu nestes meses semanas difíceis: esta epidemia com o isolamento que cria corre o risco de ser um golpe ainda mais duro. Por isto, hoje é importante olhar para o que está acontecendo com os olhos da fé”. 

Eis, em seguida, as palavras com as quais nestas horas reza a Diocese de Hong Kong, propondo um olhar de fé, de conversão e de solidariedade com quem é vítima desta doença.

Ó Deus, sois vós a fonte de todo bem. Vimos a vós para invocar a vossa misericórdia.

Criastes o universo com harmonia e beleza, mas nós com o nosso orgulho destruímos o curso da Natureza e provocamos uma crise ecológica que atinge a nossa saúde e o bem estar da família humana. Por isso vos pedimos perdão.

Ó Deus, olhai com misericórdia para a nossa condição hoje que estamos no meio de uma nova epidemia viral. Fazei que possamos experimentar ainda o vosso paterno cuidado. Restabelecei a ordem e a harmonia da Natureza e recriai em nós uma mente e um coração novos para que possamos cuidar da nossa Terra como guardiães fiéis. 

Ó Deus, confiamos a vós todos os doentes e as suas famílias. Levai a cura aos seus corpos, às suas mentes e às suas almas, fazendo-os participar do Mistério pascal do Vosso Filho. Ajudai todos os membros da nossa sociedade a desenvolver o próprio papel e a reforçar o espírito de solidariedade entre eles. Sustentai os médicos e os profissionais de saúde em primeira linha, os operadores sociais e os educadores. Vinde em ajuda em maneira particular a quantos têm necessidade de recursos para proteger a sua saúde.

Nós cremos que sois Vós a guiar o curso da história do homem e que o vosso amor pode mudar para melhor o nosso destino, qualquer que seja a nossa humana condição. Doai uma fé firme a todos os cristãos, para que mesmo no meio do medo e do caos possam levar adiante a missão que lhes confiastes.

Ó Deus, abençoai com abundância a nossa família humana e afastai de nós todo mal. Livrai-nos da epidemia que está nos atingindo para que possamos louvar-te e agradecer-te com coração renovado. Porque vós sois o Autor da vida, e com o Vosso Filho, nosso Senhor Jesus Cristo, em unidade com o Espírito Santo, viveis e reinais, Único Deus, nos séculos dos séculos. Amém.

Imprimatur:

Cardeal John Tong, administrador apostólico de Hong Kong, 30 janeiro 2020

terça-feira, 10 de março de 2020

“O algoritmo não substitui a engenhosidade humana e o olhar”



“Fazer as máquinas trabalharem significa aumentar a potencialidade das intervenções humanas, não deve tornar preguiçoso”. “No campo médico podem ser um grande auxílio, mas não podem substituir o olhar, o toque e a palavra do profissional de saúde, nem todos os elementos terapêuticos”. Fala Filippo Maria Boscia, presidente dos Médicos Católicos, à margem da conferência PAV sobre a inteligência artificial.



A inteligência artificial deve ser humanizada e, sobretudo, deve ser regulada. Esta é a mensagem de fundo que emerge da assembléia anual da Pontifícia Academia Pro vida, sobre o tema O “Bom Algoritmo”? Inteligência Artificial: Ética, Direito, Saúde (26-28 fevereiro), apenas concluída na Sala Nova do Sínodo, na presença de estudiosos de todos os âmbitos, provenientes de todos os continentes. Um importante confronto de idéias em mérito a um paradigma científico que evolui em uma velocidade impressionante e que coincidiu com a sigla de dois acordos: um “acordo ético” entre a Pontifícia Academia Pro Vida, Microsoft, IBM e FAO; um acordo entre o Hospital Bambino Gesù e IBM para acelerar a pesquisa e a cura em campo pediátrico. Entre os auditores da assembléia, La Nuova Bussola Quotidiana recolheu a opinião de Filippo Maria Boscia, presidente da Associação Médicos Católicos Italianos (AMCI) e membro da Pontifícia Academia Pro Vida.

Professor Boscia, quais são a seu ver os conteúdos mais importantes que surgem da assembléia apenas concluída? Eu afirmo que foi muito significativo acentuar sobre a semântica: falar de “bom algoritmo” ou de “algoritmo bom” muda muito os termos da questão. Dito isto, é importante destacar que o que definimos como “inteligência artificial” é antes de tudo um sistema que deriva da inteligência humana, um sistema que pode executar ordens, mas não é capaz de elaborar um pensamento próprio. Podemos interpretar a inteligência artificial como um auxílio para as nossas mentes, que seriam assim desviadas de atividades repetitivas e não cognitivas, alargando assim o nosso lucro e a nossa inteligência, e favorecendo novas possibilidades para o bem comum. Não creio que ninguém queira demonizar os progressos da ciência e o uso das novas tecnologias. O homem, porém, não deve tornar-se preguiçoso: fazer as máquinas trabalharem, portanto ser mais livre e, por certos aspectos, mais “lúdico”, para ocupar-se mais de si mesmo, não é certo uma característica da vida humana, porque os homens devem sempre ter uma perspectiva e um horizonte. Um horizonte, porém, não se alcança jamais: deveremos sempre estar à procura de novos confins, iluminados pela sabedoria e também pela fé, evitando confiar somente nas nossas capacidades, mas, sobretudo nos tornando mais humildes e menos auto-referenciais.

Em campo médico, que perspectiva oferece a inteligência artificial? A robótica pode oferecer grandes oportunidades para a medicina, ajudando particularmente na precisão dos movimentos e na visão quadridimensional das intervenções cirúrgicas, ajudando o médico a aumentar as próprias possibilidades e, em particular, a própria habilidade manual. Na medicina, nos encontramos diante a um paradigma que poderia ajudar-nos a reconstruir a unidade da pessoa. A inteligência artificial pode valorizar muito a corporeidade, mas não a sensibilidade. A máquina não fala, pode escutar, pode elaborar, mas seguramente não é capaz de elaborar aconselhamentos. É, portanto impossível confiar totalmente na tecnologia, também porque o homem tem necessidade de três elementos fundamentais: o olhar, o toque e a palavra. Trata-se de três elementos terapêuticos que permitem cuidar do paciente também quando a medicina não pode curar. A medicina não é onipotente, a fragilidade humana a supera. Pensemos no momento que estamos atravessando: criou-se o terror em torno a um vírus que, no fim das contas, não é assim altamente letal. Este medo não pode ser curado com algoritmos, mas com o conforto, no sentido etimológico do termo: encontrar-se juntos para dar força. O conforto é um remédio importante em um momento em que se fala muito de doentes terminais que, freqüentemente, no final sobrevivem cinco, também dez anos. Devemos deixar de iludir as pessoas dando a impressão que chegamos a todo tipo de conhecimento. A intervenção de qualquer tecnologia avançada pode se tornar uma tela que distrai o olhar, distancia a palavra e impede o toque. 

É objeto de forte discussão a perspectiva segundo a qual os progressos da inteligência artificial tornariam inúteis dezenas de profissionais, determinando níveis de desemprego sem precedentes... Neste momento estamos vivendo o efeito negativo deste aspecto. Eu, porém, convido a olhar também para o positivo: as novas tecnologias poderiam levar a descobrir novos métodos para ser úteis à humanidade. Entendo dizer que a Inteligência artificial, não podendo substituir a inteligência humana, deve ainda mais potenciá-la para ir além e perseguir aquelas perspectivas e aqueles horizontes dos quais falávamos. Se a medicina e a tecnologia se contentam daquilo que descobriram terminam por destruir a esperança. Nós, porém, não podemos nos contentar com o presente: pelo contrário, devemos ter sempre mais esperança para o futuro.

É já possível sintetizar um tipo de “ética católica do algoritmo”?
O magistério pontifício sempre foi muito prudente e, diante dos progressos da ciência, sempre deu esta resposta: podemos utilizar toda forma de tecnologia disponível, o importante é que coloquemos no centro o homem e a sua ressurreição. Quando nós dizemos ter “descoberto” algo, na realidade, não descobrimos nada, somente evidenciamos os motivos que nos portam em direção a esta perspectiva fortemente admirada que é a Criação. Qualquer coisa pode ser útil para nossa vida e para a Ressurreição ou, pelo contrário, devastá-la, o importante é que a sua utilização seja sempre em nome da sabedoria. Penso na energia nuclear declinada para usos médicos ou, pelo contrário, bélicos.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2020

O Paradoxo Norueguês: É muito banal desmentir a ideologia de gênero

Rino Cammilleri

Há alguns anos, o produtor de documentários Harald Medlal Eia, tinha realizado para a Tv norueguesa um vídeo que desmascara e coloca na berlinda a doutrina de gênero. Na prática, quem ainda considera que masculinidade e feminilidade são somente estereótipos culturais é considerado superado pelos estudos, como também pela própria realidade.



As coisas foram muito longe. Existe um indivíduo que vive no País mais avançado do mundo e há pouco uma nova descoberta está invadindo a mídia e as escolas: a terra é plana. O indivíduo então se coloca em viagem em direção ao Oeste, para ver quando é que cairá no precipício. Ao invés, viaja muito e, no final se encontra no ponto de onde partiu. Desse modo, pensa: mas como pode, aqui nos ensinam a grande novidade da terra plana e, que a idéia de que seja redonda, como sempre se acreditou desde os tempos de Eratóstenes, nos é na realidade inculcada desde a infância; mas então como é que viajando sempre a Oeste eu acabei chegando a Leste?

Bem, uma coisa deste tipo aconteceu na Noruega, o lugar onde a paridade entre os sexos é máxima. O cômico Harald Meldal Eia, estrela televisiva local, ficou curioso quando viu as estatísticas nacionais, segundo as quais o 90% dos enfermeiros é de mulheres, enquanto 90% dos engenheiros é de homens. Segundo a ideologia de gênero as cifras deveriam ser metade-metade em cada profissão. Ao invés, exatamente onde o acesso às profissões é mais livre e cada um pode escolher a que quiser, as mulheres se dirigem para trabalhos classicamente femininos e os homens para trabalhos classicamente masculinos. Com as possibilidades, Harald confeccionou um documentário intitulado: “Lavagem cerebral. O paradoxo da igualdade de gênero”. Caso você possua quarenta minutos, use para ver no Youtube (ndt.: aqui está o endereço com legendas em português: https://www.youtube.com/watch?v=G0J9KZVB9FM   - Pode ser também este: https://www.youtube.com/watch?v=gwE4aPotnRE). Eu o encontrei em um artigo de Federici Cenci em Zenit.org.

Harald, com a face de Bertoldo, mas em absoluta boa fé, foi procurar esclarecer com a pesquisadora Cathrine Egeland, especialista em temas de trabalho, e com Jorgen Lorentzen do Centro de Pesquisa Interdisciplinar sobre Gênero da universidade de Oslo. Os dois responderam unânimes que os estudos sobre a diversidade biológica entre masculino e feminino são para ser considerados superados e que, na realidade, o “estereótipo” é inculcado nas criaturas por vias culturais. O mesmo discurso foi feito por um ex-ministro para a pari oportunidade.  Harald, perplexo, entrevista os seus filhos, duas meninas e um menino, e eles respondem que eles nasceram assim. Para testar novamente, os leva a uma loja de brinquedos e pergunta ao menino porque não lhe agrada a boneca. Ele diz que não é uma menininha. Será, pensa Harald, porém os especialistas dizem que fui eu a colocar na cabeça dele isso, mesmo se a mim não consta que tenha feito isso. 

Pelo fato que a TV paga a investigação a Harald, ele toma um avião e vai a San Francisco e depois a Cambridge, onde interroga os maiores especialistas mundiais em biologia humana. Ainda mais: lhes faz ver o vídeo das entrevistas que fez aos especialistas noruegueses de gênero. Tendo visto e escutado os vídeos, em San Francisco e em Cambridge ficam atordoados. Lhe fazem ver os estudos “superados” e lhe dizem que na verdade são os mais recentes e acreditados. Dos quais resulta que um recém-nascido de um dia (você leu corretamente: um dia) é atraído por brinquedos masculinos, enquanto a recém-nascida da mesma idade é atraída pela face das pessoas. Mostram-lhe meninos de nove meses livres para circular entre os brinquedos: o mesmo resultado. Harald faz maliciosamente notar aos expectadores que do Trinity College de Cambridge (para onde foi) saíram em torno de 32 prêmios Nobel. Depois, retorna para a Noruega e mostra aos especialistas de antes os resultados da sua investigação. Estes, obviamente, fazem cara feia e respondem com slogan. Ou melhor, se perguntam com irritação como pode que exista gente que insiste com a biologia, disciplina que “superou” considerar que exista algo que fazer com as diferenças entre homem e mulher. Harald agradece e vai embora.

Porém, vai ao ar o documentário através da TV nacional. A qual é vista em toda a Escandinávia. Disto nasceu um debate que durou meses e terminou assim: em 2011 os governos locais suspenderam os financiamentos ao Nordic Gender Institute, ponta de lança da ideologia homônima. Mas, como sabemos, os que sustentam a idéia da terra plana possuem dinheiro e apoio internacional potente. A novidade por isso será difusa nas escolas e será preso quem afirmar que a terra é redonda. Pessoalmente, me preocuparei mais pela segunda ameaça. De fato, as crianças, mesmo doutrinadas, que a terra seja esférica mais cedo ou mais tarde descobrirão sozinhas.

Fonte: https://lanuovabq.it/it/e-persino-troppo-banale-smentire-lideologia-gender