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quarta-feira, 19 de junho de 2019

Polônia, um “lugar da alma” que precisa ser conhecido


A história trabalhada que a fez renascer muitas vezes, a sólida raiz cristã, fazem da Polônia sobretudo uma identidade: fortemente “europeia” e solidamente enraizada na fé cristã. O livro de Roberto Marchesini "Per la libertà vostra e nostra - La Polonia raccontata agli italiani" (Pela liberdade vossa e nossa – A Polônia contada aos italianos) é uma viagem fascinante em um país muito pouco conhecido.


O que conhecemos realmente sobre a  Polônia?  O que chegou e chega a nós da real história do País de São João Paulo II? Provavelmente muito pouco, sustenta Roberto Marchesini no seu último esforço  Per la libertà vostra e nostra – La Polonia raccontata agli italiani (D’Ettoris Editori, 2019), uma seleção de artigos em parte já publicados (alguns também na La Nuova Bussola Quotidiana) e em parte inéditos.

 
A Polônia, afirma o Autor na Introdução, “é um lugar na alma”. De fato, no curso dos séculos “desapareceu da carta geográfica, não teve nem um estado, nem um governo”, no século XX resistiu sob a ditadura do comunismo marxista e “não possui fronteiras naturais, e aquelas administrativas mudaram muitas vezes ao longo dos séculos”... mesmo assim ainda existe porque é  habita na alma do povo polonês. A Polônia é, em suma, uma identidade; e uma identidade fortemente “europeia” e firmemente enraizada naquelas que são as verdadeiras raízes do Ocidente, todo dia tão espezinhadas.

A intenção de Marchesini, com o seu livro, é exatamente fazer com que os italianos conheçam a alma polonesa, que ele foi o primeiro – ao aprofundar vários aspectos – a aprender a amar. Ao fazer isto, o Leitor é acompanhado em uma viagem articulada em breves mais incisivas partes que se referem alternativamente à história, à política, à sociologia, à religião, ao mundo do cinema... para fechar depois com um Apêndice com algumas anotações, também muito práticas, para uma eventual viagem no País do Leste que, apesar dos preconceitos, reserva um surpreendente patrimônio histórico-cultural.

Eis, portanto, que, página por página, se aprende a conhecer um povo capaz de testemunhar, com coragem e sem censura de tipo ideológico, a história que se deu, mas que ao mesmo tempo soube levantar a cabeça e retirar, exatamente daquele passado nada fácil, ensinamentos preciosos. Um povo que, em 2019, repete com orgulho slogans patrióticos como «Bóg, Honor, Ojczyzna» (Deus, honra, pátria) e que, como demostra a adesão sempre crescente à Marsz Niepodleglości, a Marcha pela independência, que acontece a cada ano no dia 11 de novembro em Varsóvia para celebrar o renascimento da Polônia em 1918, mostra um extraordinário apego à própria bandeira nacional.

Um povo que além do mais não se envergonha das próprias raízes cristãs, como se percebe pelos indescritíveis sinais da cruz feito pelas pessoas que passam diante de uma igreja, ou pelas frequentes peregrinações ao Santuário de Nossa Senhora de Częstochowa, assim como também pelo Rosário recitado em outubro de 2017 por um milhão de pessoas nas fronteiras nacionais (“Como crianças obedecemos a Maria rezando pela paz, contra o islamismo e o ateísmo, em reparação pelas ofensas contra Deus e Maria e pela conversão dos pecadores”). Um povo, enfim, que não hesita ao ser etiquetado, aos olhos do mundo, como uma nação de “coelhos”, mas que na verdade, se orgulha do investimento na taxa de natalidade, que na verdade será o seu futuro. 

Com isto, é importante especificar, Marchesini não quer dar a entender que a Polônia não apresente pontos de crítica e zonas de sombra, como ele mesmo é o primeiro a destacar em determinadas passagens. E ainda, neste ano, durante o qual se deveria celebrar o final do regime comunista na Polônia e da inteira “cortina de ferro”, poderia ser uma boa ocasião para aprofundar o conhecimento do País de São João Paulo II, permitindo-se interrogar pela história, da fé e da identidade de um povo que, talvez, é mais próximo a nós do que parece.

terça-feira, 11 de junho de 2019

«Marianną Popiełuszko. A mulher que perdoou os assassinos do filho mártir »



Giuliano Guzzo

São ainda poucos, infelizmente, até mesmo no mundo católico, aqueles que conhecem bem a história e o testemunho de Padre Jerzy Popiełuszko (1947–1984), o sacerdote e mártir polonês, assassinado há mais de três décadas e beatificado em junho de 2010, no pontificado de Bento XVI, e ainda é menor, não tenhamos dúvida, o número daqueles que sabem algo sobre Marianną Popiełuszko (1920-2013), sua mãe. E é uma pena porque, como aquela do filho, também a sua é uma figura decididamente luminosa, marcada por um testemunho de fé autenticamente vivida.

Ajuda a preencher este vazio um belo livro de mais de 300 páginas intitulado Matka Świętego. Poruszające świadectwo Marianny Popiełuszko, traduzível como “Mãe de um santo, comovente testemunho de Marianną Popieluszko”  (“Madre di un santo, commovente testimonianza di Marianną Popieluszko”), da jornalista e escritora polonesa Milena Kindziuk. Graças a esta obra podemos, de fato, descobrir mais sobre esta mulher corajosa, falecida há poucos anos com venerados 93 anos, não antes, porém de ter assistido à beatificação do amado filho Jerzy

Nascida na região rural de Bialystok há quase um século, Marianna casou jovem – tinha 22 anos –, deu à luz cinco filhos, entre os quais o sacerdote que se tornou um símbolo da resistência durante os tempos escuros do regime comunista, e foi sempre uma mulher de grande fé. A provar isso, as suas próprias palavras. Como quando afirmou: “A fé em Deus vem antes de tudo. Sem Deus, a vida não tem sentido. Devemos nos assegurar que esteja sempre presente em nós porque com a fé existe sempre uma vitória”.

Uma clara confirmação do apego ao Senhor, a senhora polonesa deu também quando esperava o seu terceiro filho, Jerzy. Então, de fato, Marianną rezou intensamente para que Deus concedesse ao pequeno que tinha no ventre a graça da vocação sacerdotal. Um pedido que somente uma mãe de grande fé pode fazer e ao qual, evidentemente, o Onipotente não deixou de corresponder, doando-lhe o filho que sonhava, mas também, como sabemos, uma dor imensa.

Uma dor da qual a mulher falou também no dia 6 de junho de 2010, por ocasião da beatificação de seu filho: “A minha maior dor foi a morte de Jerzy”. Ainda assim, junto a estas palavras de compreensível dor, a senhora Popiełuszko pronunciou outras não menos comoventes: “Eu não julgo ninguém, porque Deus é o único juiz. A minha grande alegria será quando os assassinos de meu filho se converterem”. Uma conversão pela qual a anciã a dezenas de distância, procurava “rezar todos os dias”-“bem sabia que não existe nada de mais importante na vida que a presença de Deus”.

A confirmação da grandeza da mãe de Jerzy Popiełuszko nos chega das palavras de Milena Kindziuk, que curou o livro.  A escritora, de fato, declarou: “Não teríamos jamais padre Jerzy sem a fé e a confiança da mãe Marianna, a qual chegou a perdoar os assassinos do filho”. Foi Marianną Popiełuszko», acrescentou  Kindziuk, “quem ensinou aos seus filhos a fé e a oração. Tanto que, quando o filho Jerzy entrou no seminário, ela disse de ter dado com todo o coração o seu filho à Igreja. Ao ponto que aprovou todas as decisões dos superiores do filho, também aquelas que não a convenciam”.  O que dizer, senão que temos algo para agradecer à senhora Popiełuszko. Por ter doado à Igreja uma figura imensa como padre Jerzy e por ter ela mesma dado um testemunho de fé grandiosa que, hoje mais que nunca, merece de ser redescoberta e tomada como exemplo.



quarta-feira, 5 de junho de 2019

YOVANA “RAWVANA” MENDOZA: A ‘queda’ da star vegana. E a lição que deve ser aprendida

Yovana Mendoza, influencer vegana e crudista, foi pega diante de um belo pedaço de peixe assado. Ó, céus! Os fãs se sentem traídos e ela deve desculpar-se explicando que obedeceu aos médicos depois dos problemas de saúde que teve por causa da sua dieta radical. O que deveria servir de lição, em favor de uma dieta onívora. E não ideológica.

 
 
No seu manifesto da “Cozinha futurista”, de fevereiro de 1909, Filippo Tommaso Marinetti declarava guerra às massas, culpadas, segundo ele, de debilitar o corpo, engordá-lo e tornar pesada a digestão. Entre outras coisas, na época, o trigo era em grande parte importado, em detrimento do mais salutar arroz, produto nacional. Hoje parece que a história dê razão ao poeta nascido em Alexandria no Egito, com a corrida dos produtores de massa para recuperação dos grãos antigos, as epidemias de doença celíaca, as descobertas científicas sobre os danos provocados por causa do abuso de carboidratos e as atuais dietas para a maioria das proteínas. 

Ainda assim, também os teóricos duros e puros como Marinetti algumas vezes cedem: permanece histórica uma foto tirada do fundador do Futurismo, pego em um restaurante enrolando o espaguete de um monumental prato amatriciana.

A distância de 100 anos precisos, uma máquina fotográfica malandra captura outra incoerência alimentar da californiana, com vinte e nove anos de idade, Yovana Mendoza, conhecida nas redes sociais como Rawvana, influencer vegana e crudista, com i milhão e 300.000 seguidores no Instagram.

O papo é sempre aquele: “Coma vegano e cru e será saudável, purificado, desintoxicado e também ecologicamente correto”. A mocinha tinha eliminado leite, ovo, carne, peixe, todo tipo de proteína animal da sua alimentação e por anos falou daquela maravilhosa sensação de paz, harmonia e felicidade que a sua dieta “não violenta” tinha dado a ela.

 Pena que durante umas férias em Bali, a bela Yovana foi enquadrada em um vídeo ao vivo, à mesa, diante de um belo pedaço de peixe assado. Uma cavala ou talvez um atum, imagine, cruelmente pescado e roubado de seus alevinos – hoje desconsolados – morto por asfixia entre tormentos atrozes. Ó céus: os fãs de Yovana se sentiram apunhalados pelas costas e a recobriram com ícones de peixe, impropérios, sarcasmos e pesadas ironias. Alguém também disse que serviria para ela um bom psiquiatra.

Ei, não, o psiquiatra serve para vocês seguidores vegano-crudistas, não para Yovana, a qual fez muito bem em ouvir os seus médicos que a impuseram de voltar a comer carne, peixe e ovo. A sua saúde estava em perigo: já fazia dois anos que tinha perdido o ciclo menstrual, apresentando depois infecções intestinais e vaginais. Revestiu a pele pela empatia com as sardinhas, claro que não. “Sei que vocês se sentiram traídos – declarou em um vídeo de pedido de perdão – e peço perdão a vocês”. 

Mais que traídos, deveriam dizer que estavam decepcionados e enganados, porque a mulher, mesmo vendo muito bem quais fossem os efeitos daquela dieta louca e não natural, continuou belamente a empurrá-la para especular sobre isso. De fato, a ex-star vegana tinha acumulado muito dinheiro comercializando, por um valor de “somente” 99 dólares, um kit de pílulas e bebidas para emagrecer e purificar-se - além do corpo – também a alma do sentimento de culpa para com o planeta.

Carreira terminada para Yovana, a menos que, com um flash, não decida de dar um sentido a sua insensatez: o único resgate poderia vir do aproveitar a sua experiência para remediar ao mal feito e se tornar um testemunho unívoro, alertando contra uma dieta perigosa para a saúde.  De fato, um aceno no seu vídeo de desculpas houve, mesmo se muitos jornais evitaram mostrá-lo: “Jamais pensaria de sentar-me um dia diante desta câmera para dizer a vocês que estou já há dois meses comendo ovo e peixe e me sinto muito melhor porque a dieta crudista vegana faz mal. Retornarei a uma dieta vegetariana”. Talvez a lição não tenha sido suficiente? 

O paradoxo é que o homem empregou milhares de anos para garantir o fornecimento de carne e peixe, alimentos preciosos e de altíssimo poder nutritivo, que consentiram o desenvolvimento do seu cérebro e da sua inteligência. Exatamente agora, ao invés, inverte e se autodestrói procurando uma impossível evolução em direção à subordem dos ruminantes.

O confronto entre o bem e o mal acontece no mundo – em uma maneira ainda pouco questionada – também nas filosofias alimentares. Não é por acaso que os grandes jornais politicamente corretos estão todos alinhados, em modo muito mais que suspeito, em favor do vegetarianismo, no máximo abrindo a algumas “graciosas concessões” em direção ao mundo dos insetos. Não é nem sequer um caso que a mídia tenha torpedeado os que sustentam a “dieta ancestral”, aquela a base principalmente de carne, peixe, fruta e verdura como Mozzi, Tozzi, Panzironi.

Uma coisa é certa e indiscutível: por dois milhões e meio de anos o homem se alimentou de carne, peixe, ovo, fruta e verdura: não somente de vegetais, portanto, nem de massa, pão, pizza, polenta, doces, legumes ou leite que chegaram apenas há 11 mil anos com a introdução da agricultura e depois da criação. Cada um retire disto as suas próprias conclusões.