O ex-jogador de basquete
americano, 41 anos, a filha de treze e outras 7 vítimas em um acidente de
helicóptero. “Não se pode morrer assim”,
escrevem alguns. Entre rios de tinta, praticamente ignorada foi a relação de
Kobe com a fé católica. Que também foi decisivo na sua vida terrena, como ele
mesmo revelou, e nos remete ao que realmente conta: a eternidade.
Passaram-se menos de 48 horas da
notícia do acidente mortal de Kobe Bryant, 41 anos, e dos outros oito
passageiros do seu helicóptero, inclusive Gianna Maria, de treze anos, uma das
quatro filhas do campeão do basquete. Menos de 48 horas, mas já se disse e se
escreveu de tudo. Diante da incredulidade e do desânimo iniciais se acrescentaram
tantas perguntas sobre o porquê de uma tragédia assim, sobre suas causas.
Recordou-se de sucessos, recordes, acontecimentos pessoais sobre Kobe, como
também os sonhos da sua filha ainda muito jovem, um astro nascente do basquete
feminino.
O Sikorsky S-76B sobre o qual
viajavam as nove vítimas, decolado poucos minutos depois das 9 horas de
domingo, 26 de janeiro, tinha como destino a Mamba Academy (a academia de
basquete fundada por Bryant, chamada “the Black Mamba”), exatamente para um
torneio em que jogaria Gianna Maria. Houve quem, também nos jornais, falasse de
morte “absurda”, que não se
pode morrer assim, no auge da vida. Mesmo assim se morre desse modo e em mil
outros modos que fogem às possibilidades de controle de cada ser humano. Pobre
ou rico, criança ou idoso, vip ou desconhecido, justo ou injusto, porque não
sabemos “nem o dia, nem a hora”
(Mt 25,13), como disse Jesus na parábola das dez virgens, convidando a vigiar
em vista do encontro com o Esposo. O importante é então como nos preparamos
para aquele encontro, que vale o lugar onde passaremos a nossa eternidade.
A glória terrena de Kobe é conhecida. Em nível de equipe, cinco títulos NBA com os
Los Angeles Lakers e dois ouros olímpicos com a equipe nacional dos Estados
Unidos. Em nível individual, uma quantidade enorme de louros. Por exemplo: duas
vezes melhor marcador da temporada, duas vezes melhor jogador das finais, uma
vez melhor jogador da temporada regular, 11 vezes na melhor equipe de toda a NBA,
o mais jovem jogador do All-Star Game (19 anos e 175 dias), vários tiros de 3
marcados em um tempo (8), o único jogador na história da NBA a ter marcado 60
pontos na sua última corrida profissional (em quase 38 anos), 33.643 pontos
totais, o quarto de todos os tempos na história da NBA: LeBron James levou o
terceiro lugar há poucos dias e, ele parabenizou o amigo via Twitter exatamente
no domingo da colisão.
Os jornais da nossa casa se fixaram também na especial relação que unia
o campeão à Itália, onde Kobe viveu dos 6 aos 13 anos, seguindo com a
família os deslocamentos do pai Joe, jogador de basquete também ele, que jogou
nos times de Rieti, Reggio Calabria e Reggio Emilia. Daqui, o italiano fluente
de Kolbe e os nomes dados as suas filhas: Natália Diamamnte (2003), Gianna
Maria (2006-2020), Bianka Bella (2016) e a mais jovem Capri Kobe (2019).
Muito menos conhecida é ao invés a sua relação com a fé, também ignorada
nestas horas pelo grande sistema midiático, com algumas exceções, na maior
parte de área cristã.
Kobe cresceu em uma família católica e na mesma fé quis educar suas
filhas, nascidas do matrimônio com Vanessa, católica também ela e quatro
anos mais jovem, casada em 2001 na Igreja de Santo Edoardo, em Dana Point
(Califórnia).
Dois anos mais tarde, em 2013, o nascimento da primogênita, mas também
um escândalo que arriscava comprometer para sempre a estrela da NBA: uma funcionária
de dezenove anos de um hotel do Colorado, onde Kolbe tinha ficado, acusou o
campeão de tê-la estuprada. Deu-se a prisão e a liberação sobre fiança. Bryant
pediu publicamente perdão à esposa, admitiu o adultério, mas negou a acusação
de estupro, sustentando que se tratou de uma relação consensual. Alguns dos
seus maiores patrocinadores cancelaram o contrato com ele. No processo penal as
acusações foram a certo ponto arquivadas, enquanto a causa civil foi resolvida
com um acordo entre as partes. Kobe tinha, no entanto feito uma declaração
pública de desculpas à jovem e a todas as pessoas ofendidas pelo episódio,
sustentando a linha do mal-entendido. Pelo stress de todo o episódio, a esposa
Vanessa sofreu um aborto espontâneo do segundo filho deles.
Naquela tempestade pessoal e familiar, agravada pela superexposição
midiática, Kobe encontrou a sua âncora de salvação na fé católica. Como
explicou em uma entrevista ao GQ em 2015: “Tinha
medo de ir para a prisão? Sim. Amigo, tinha somente 25 anos. Estava
aterrorizado. A única coisa que me ajudou realmente naquele processo – sou
católico, cresci católico, os meus filhos são católicos – foi falar com um
padre. Na realidade foi de qualquer modo divertido. Ele me olha e diz: “Você fez isso?”. E eu digo: “Claro que não”. Depois pergunta: “Você tem um bom advogado?”. E eu: “Oh, sim, é fenomenal”. Então ele me
disse somente: “Deixe correr, vá adiante. Deus não lhe
dará nada que você não possa enfrentar, e agora isto está nas mãos Dele. “Isto
não é algo que você possa controlar, portanto, deixe correr”.
E aquilo foi o ponto decisivo”.
Se o confiar em Deus o salvou naquela circunstância, todavia as
dificuldades e presumivelmente os vícios nos anos sucessivos reapareceram, especialmente
na relação com a esposa. Em 2011, Vanessa pediu o divórcio, falando de “inconciliáveis diferenças”, como
apresentada sempre GQ, mas o divórcio não se concretizou e 13 meses mais tarde
os dois se reconciliaram, graças também à vontade de Kobe de preservar o
matrimônio: “Não tenho intenção de dizer que o nosso
matrimônio é perfeito [...]. Nós temos dificuldades ainda, exatamente como todo
casal esposado. Mas sabe, a minha reputação de atleta é que sou extremamente
determinado e que faço tantp. Como poderia fazer isso na minha vida
profissional se não fosse assim na minha vida pessoal, quando isso afeta os
meus filhos? Não teria nenhum sentido”.
Kobe e sua esposa, como reporta a CNA, freqüentavam regularmente uma paróquia no condado de Orange (Califórnia). E não
somente para a Missa dominical. A cantora Cristina Ballestero escreveu uma longa
postagem no seu Instagram seja para recordar na oração ele e a sua família,
seja para descrever a surpresa que teve em ver na Missa e receber a Eucaristia,
em um dia de semana, Kobe Bryant. O qual estava no fundo da Igreja para não
distrair a atenção dos paroquianos de Jesus.
Junto à esposa, o jogador de
basquete deu vida a uma fundação para
assistir de várias maneiras jovens sem teto e dar uma possibilidade de
crescimento através do esporte. Falando desta obra em 2012, explicava que não desejava um dia olhar para trás e se
acomodar com o pensamento: “Bem, tive uma carreira de
sucesso porque venci tantos campeonatos e marquei tantos pontos”, mas de querer deixar uma herança diferente, dizendo-me: “Deves fazer algo que tenha um pouco mais de peso, um pouco
mais de significado, um pouco mais de finalidade”.
Padre David Barnes escreveu no
seu Twitter que soube que no domingo pela manhã,
antes de pegar o helicóptero, Kobe foi visto na Missa. E o
sacerdote recordou que “a Missa é adoração a Deus. O
Paraíso é adoração a Deus”. Deus sabe onde se encontra
agora Kobe. Por fim, o que é certo é que agora não serve perguntar-se o “porque” e fixar o olhar somente para
dentro da perspectiva terrena, mas oferecer orações e sufrágios por ele, pelos
outros defuntos e pelos seus caros que ficaram aqui. Porque tudo muda se
entramos ou não na única e eterna glória, aquela de Deus. Kobe, vimos isso,
pensava nessa questão. E se pode crer que meditasse nesta passagem: “Não acumuleis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem corroem
e os ladrões roubam; acumuleis ao invés tesouros no céu, onde nem a traça nem a
ferrugem corroem, nem os ladrões roubam. Porque ali onde estiver o vosso
tesouro, estará também o vosso coração” (Mt 6,19-21).
ATUALIZAÇÃO: Julie Hermes,porta-voz
da igreja de Nossa Senhora Rainha dos Anjos (Newport Beach, condado de Orange,
Califórnia), confirmou ao Daily Mail que Kobe e a filha Gianna Maria participaram
da Santa Missa das 7 da manhã, celebrada pelo padre Anthony Vu. Tanto Kobe como
Gianna Maria receberam Jesus Eucarístico.


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